Assim como Wycliff, João Huss, Lutero e outros que se levantaram para combater a corrupção, a venda de indulgências, a disputa pelo poder e tantas outras incoerências, acredito que a religião cristã dos nossos dias, não está em situação muito diferente dos dias desses homens. O que impera é a hipocrisia, o moralismo, o controle da vida alheia, o orgulho teológico, o comércio, a corrupção, etc. Fatores que se contradizem com os ensinos e a vida de Jesus. Nada vale mais a pena do que aprender e viver o puro e simples evangelho. Indique este blog e deixe um comentário.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ultima Postágem do Ano

Estamos às portas de 2011 e confesso que não sabia o que postar nessas ultimas semanas do ano, então... La vai!

Natal. Uma das mais coloridas celebrações da humanidade, é a maior festa da cristandade, da civilização surgida do cristianismo no Ocidente. Não há quem consiga ignorar a data por mais que conteste a importação norte-americana nos simbolismos: Neve, Papai Noel vestido com roupa de lã e botas, castanhas, trenós, renas, e outras presepadas.
Na origem, as comemorações festivas do ciclo natalino vêm da distante Idade Média, quando a Igreja Católica introduziu o Natal em substituição a uma festa mais antiga do Império Romano, a festa do deus Mitra, que anunciava a volta do Sol em pleno inverno do Hemisfério Norte. A adoração a Mitra, divindade persa que se aliou ao sol para obter calor e luz em benefício das plantas, foi introduzida em Roma no último século antes de Cristo, tornando-se uma das religiões mais populares do Império.

A substituição veio pelo Papa Júlio 1º para o nascimento de Jesus Cristo como uma forma de atrair o interesse da população. Pouco a pouco o sentimento da galera modelou e reinterpretou o Natal na forma e intenção.

Bom... Não há necessidade de comentar história do Natal, origem, essas coisas que a turma ta careca de saber e muito menos explicar que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro.

Não sou anti-natalino e nem defensor do Natal como aniversário de Jesus. Na verdade, o Natal se torna pagão e heresia na mente de quem o vê dessa forma e uma benção, dia de alegria na mente dos que assim o fazem.

O que posso dizer é que estamos num período emblemático isto é, podemos fazer esse momento memorial, simbólico e significativo. E isto é bom, acredite. Não há nenhum “pecado” nisto.

Então... Não fique isolado neste período, a não ser que seja uma decisão tomada para o seu bem, senão, vamos lá, ligue pra alguém e se juntem pra celebrar. Se alguém te ligar e convidar pra passar o Natal e o Ano Novo juntos, não pense duas vezes, aceite logo.

Não se alimente de “birras”, amarguras “bobas”, ressentimentos antigos, produzidos por algum desencontro nos caminhos da vida. Deixa isto pra lá. É normal. Acontece sempre.

Deixe frestas abertas pra que entre o oxigênio da vida relacional.

Ore algumas orações simples.

Brinde aquelas pequenas conquistas ou o fato de estar vivo e com alguém pra brindar a vida.

Vá andar de mãos dadas com seu amor, com seus filhos, alguns amigos e curtam com bom humor a vida e todas as implicações que há no fato de estar vivo.

Monte uma arvore de Natal. Coloque uns “pisca-piscas” nas janelas, nas grades, no pé de cuca em frente de sua casa, rsrsrs...

Sem querer dar receitas prontas, mas como encorajamento para uma vida melhor em 2011. Recomendo que a saúde física, emocional e espiritual, seja levada bem a sério. Assim :

Evite o sedentarismo.
(pratique algum tipo de esporte que te movimente)

Mantenha a mente arejada.
(pratique alguma disciplina que te conduza ao equilíbrio a maior parte do tempo)

Busque uma espiritualidade saudável.
(neste item, encorajo você a fugir de toda espiritualidade insensata, megalomaníaca, que só pensa em si mesmo, portanto, egocêntrica, egoísta, que só vive barganhando com Deus) Prefira uma espiritualidade que te mantenha no CHÃO DA VIDA. Lembrando que:

A saúde de nossa vida espiritual está diretamente ligada à qualidade de nossos relacionamentos.

Acho que é só isso. Enfim!

Feliz Natal e Feliz Ano Novo!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Justiça e Graça

A maioria dos homens tem um falso conceito de justiça.

Justiça muitas vezes soa como um sinônimo de punição ou vingança, como um alívio da pressão gerada por momento de raiva. Na verdade, esse desvio do conceito de justiça se da pelo fato de estarmos desprovidos de integridade, caráter, imparcialidade, verdade e preciosidade. Tudo isto devido à realidade que a raça humana se encontra, ou seja, de estar contaminada por um câncer em nossas almas, uma infecção chamada pecado, a depravação da justiça que herdamos de nossos antecessores. Nossos primeiros pais. Adão e Eva.

A raça humana mergulhou num caos, homens e mulheres de todas as raças estão nas condições de pecadores, ou seja, culpados diante de Deus, o Justo Juiz e não ficarão impunes diante de sua justiça.

Imagine alguém procurado pela polícia, culpado por cometer vários delitos, acusado de possuir uma ficha criminal com centenas de crimes. Essa pessoa por mais que tenha um bom advogado dificilmente passara impune e será inocentado.

Assim procede a justiça dos homens com alguém que comete delitos. Nós aceitamos isso, nos submetemos às leis criadas pelos nossos governantes, porque não queremos ser infratores da lei. E se infligirmos à lei e formos apanhados, certamente seremos julgados por tal delito. Semelhantemente é a condição da humanidade na condição de pecadora, ou seja, será julgado pelos delitos cometidos contra a santidade de Deus.Todos os seres humanos são pecadores e carregam o peso da justiça de Deus sobre seus ombros.

Pois todos pecaram e carecem da Glória de Deus. (Rm: 3.23)

Não podemos estar na presença do Justo Deus na condição de injusto.Temos que ter por certo que todos os que se aproximam do tribunal divino deve se conscientizar plenamente que é pecador, e que se sentira aniquilado e perdido sob o senso de sua própria culpa. E assim se faz evidente que nenhum pecador pode suportar a Glória de Deus.

O padrão de justiça de Deus é a excelência. A menos que venhamos a cumprir toda a lei de Deus de forma perfeita e absoluta, não seremos tidos como justos. Assim, já que não há um sequer que possa alcançar esse grau de santificação com tanta precisão, segue-se que todos os homens encontram-se separados da justiça. (Rm: 3. 10-12)Essa condição da raça humana gerou uma conseqüência que conduz a um drástico destino sem volta. Temos ofendido o nosso Criador, cuja natureza é odiar o pecado e punir o pecador. Os que têm pecado não podem ser aceitos por Deus e não podem ter comunhão com Ele e qualquer coisa que o homem venha a fazer na esperança de ressarcir os danos só pode aumentar a culpa ou piorar a situação, a menos que seja feita expiação.
De acordo com o dicionário expiar: Remir a culpa cumprindo pena.
Já expiação: Reconciliação de partes alienadas entre si, a restauração de um relacionamento rompido, apagando-se os delitos e oferecendo satisfação pelas injustiças cometidas.
Não há modo de a pessoa poder estabelecer a própria justiça diante de Deus. Isso simplesmente não pode ser feito.

Porém, contra esse fundo de desesperança humana, as Escrituras revelam a maravilhosa Graça de Deus.

Quando Deus tirou a nação de Israel do Egito, Ele estabeleceu como parte do relacionamento da aliança, um sistema de sacrifícios, que tinha seu âmago no derramamento de sangue de animais para fazer expiação pela alma do pecador.Para o pecador era algo interessante, um animal pagava o preço pela minha culpa (nada mal), mas esses sacrifícios eram típicos, isto é, prenunciavam alguma coisa melhor. Pecados eram perdoados quando os sacrifícios eram fielmente oferecidos, mas não era o sangue dos animais que apagavam os pecados. (Hb: 10. 4-10)
João Batista estava batizando no Jordão quando avistou Jesus e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

A verdade é que não há justiça onde o pecado se faz presente, até que Jesus Cristo elimine a maldição. Todos os que estão debaixo do pecado estão expostos à maldição até que se achem libertos pela obra expiatória de Jesus Cristo.
Jesus Cristo vem ao socorro das misérias humanas de modo que tão somente encontremos nele todas as coisas de que carecemos.
As Escrituras falam em Rm: 5. 12-17

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei. Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir.
Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a Graça de Deus e o dom pela Graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos. O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a Graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação. Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da Graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.

Jesus Cristo cumpriu a Lei de Deus de forma perfeita e absoluta e mediante sua obediência satisfez o juízo do Pai. E ao tomar sobre si nossa causa, ou seja, assumir nossa culpa livrou-nos da tirania da morte, por meio da qual fomos mantidos como escravos. Nossa culpa é cancelada pelo sacrifício expiatório por Jesus oferecido.Isso se chama Graça, um favor que nos não merecíamos. Portanto todos aqueles que estão em Cristo e receberam o dom da justiça, não houve participação humana. Foi tudo gratuitamente, sem mérito para mim ou para você.

Graça... Somente a Graça. Conheça a Graça e viva na Graça!
Porque não há caminho a trilhar se não for o caminho da Graça de Deus.
Quem tem medo da verdade, jamais conhecera a verdade.

Pense nisso!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Vida na Graça

Sem dúvidas, a Graça é a mais escandalosa de todas as mensagens cristãs! Apesar de estarmos libertos dos mandamentos, leis e regras, e poder viver a simplicidade da fé e entender que nada fizemos para merecer a dádiva de Deus e que, portanto, nada podemos fazer para perdê-la, ainda assim, é loucura para muitos cristãos.
Graça é a revelação maior do Deus que se encarna no Cristo que se fez carne, se esvaziou, tomou a forma de servo, e como servo-homem sofreu morte de cruz por amor, amor incondicional. Quando o Filho de Deus se fez carne e habitou entre nós, esta Graça se tornou palpável e é a expressão singular e plena do amor de Deus em todas as eras. Nós não a buscamos, ela nos foi dada por Deus
Graça é este amor inexplicável que Deus tem por nós, sendo nós, não merecedores deste amor incondicional, ou seja, sem nada exigir em troca. Graça é estar na presença do Pai, é entrar com ousadia no Santo dos Santos pelo novo e vivo caminho, não pelo sacrifício de animais, ou por sacrifício pessoal, nem por justificação própria, mas pela justiça do próprio Deus que nos amou e a si mesmo se entregou.
Graça, desconcertante Graça que nos revela através das Escrituras que um comandante do exército sírio chamado Naamã, orgulhoso e arrogante, devoto de Rimom o deus da Síria e que humilhou o povo de Deus recebe a Graça. Nada havia feito por ela, nada havia oferecido ou prometido, muito pelo contrário, havia se comprometido profundamente com um deus feito por mãos de homens, e a este deus prestava tributo e adoração. Mas inexplicavelmente Deus era com ele e derramava sua Graça sobre Naamã. Inexplicável Graça que Deus derrama sobre bons e maus, justos e injustos, assim como Jesus nos ensina em Mateus 5:43-48, comparando a Graça de Deus como a chuva que cai sobre todos. É emblemático que Cristo use este exemplo para nos dar a principal característica de quem se julga filho de Deus: amar o seu inimigo. Em outras palavras, Cristo nos convoca a sermos graciosos como o Pai para que sejamos filhos Dele. A graça de Deus, o amor que não espera nada em troca.
Graça, dádiva a quem nada fez para recebê-la, é um dos mais importantes e, sem dúvida, o menos entendido conceito bíblico. É esta inexplicável Graça de Deus que nós até hoje não entendemos quando vemos milagres acontecendo em nome de santos católicos, budistas vivendo lares harmoniosos, espíritas gozando de prosperidade. A Graça que Deus derrama sobre aqueles que, a nosso ver, deveriam ser sistematicamente menos prósperos, menos saudáveis, menos felizes e menos abençoados do que nós, nos escandaliza.
Graça não se resume a uma doutrina, não é uma teologia, não é um fundamento bíblico para ser assimilado intelectualmente, não é mera aglutinação de conhecimento teórico. Pensar a Graça com essas categorias nada traduz acerca do Evangelho.
A vida “cristã” que acontece fora do chão da Graça de Deus só gera doenças espirituais, psicológicas e existenciais. Gera religião, mas não sedimenta a paz de Deus. Gera mudanças comportamentais, mas não renova o homem interior. Pode gerar novos hábitos, mas não assegura um novo coração.
Muitos “cristãos” se convertem a Jesus num dia, e no dia seguinte bancam sozinhos as transformações que julgam serem decorrentes dessa conversão. Chamam isso de santidade pessoal. Não se tem uma vida de santidade através dessa base, pois tal esforço produz a obsessão de vencer por conta própria. O “cristão” que entra nesse ciclo infeliz, opta pela hipocrisia para aceitação no meio “santo”, opta pela performance para se destacar nesse meio e prefere obedecer uma lista de regulamentos comportamentais para que fique quite com sua consciência religiosa, que é pagã, ameninada, orgulhosa e meritória, por ser toda fundamentada em justiça própria.
Santidade é saber viver todas as coisas lícitas, tendo o discernimento de saber o que convém e o que edifica. O santo vivera pela fé, ou seja, em confiança não em si, mas na Graça. E toda conquista interior que lhe aconteça, não é mérito, mas Graça de Deus.
Muitas vezes a Graça nos parece tão escandalosamente simples, que não dá para aceitá-la simplesmente como ela é, precisamos de ordenanças humanas.
Não ha caminho a trilhar se não for no caminho da Graça de Deus. Pense nisso!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Jesus X Religião

Nos últimos dias.

SABE, porém, isto:

Nos últimos dias haverá tempos difíceis!

Os homens se tornarão cada vez mais amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos e profanos.
O mundo será assim, mas os que dizem professar o nome do Senhor assim serão também. De modo que não haverá diferença.
Sim, pois eles se tornarão sem afeto natural, e, por isso, serão irreconciliáveis, caluniadores, descontrolados, cruéis, sem amor para com o que é bom.
Por tal razão também se tornarão traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos prazeres imediatos do que amigos de Deus!
Desse modo seguirão - tendo aparência e maneirismos de piedade, mas negando a eficácia dela em suas vidas.
Desses, afasta-te logo! Não vá com eles. Não os imites. Não tenhas inveja deles. Jamais creias que eles ficarão sem o juízo da verdade, pois eles o conhecerão mais cedo ou mais tarde.
Tão certo quanto vive o Senhor, assim o será!
Ora, entre esses há o que se introduzem nas casas com a finalidade de seduzirem mulheres levianas e insensatas, as quais andam cativas de seus próprios sonhos, e, assim, terminam por ficarem carregadas dos pecados de suas próprias carências.
Por isso, tais mulheres são levadas pelo impulso das várias concupiscências, e, assim, aprendem sempre, mas nunca podem chegar ao conhecimento da verdade, posto que a indiferença para com a verdade que se sabe torna insensível o coração.
O que ilustra essa situação muito bem foi o que aconteceu a Janes e Jambres, os quais resistiram a Moisés no deserto.
Ora, do mesmo modo estes pregadores de si mesmos e de suas próprias cobiças também resistem à verdade do Evangelho.
Tu, porém, fica sabendo isto:
Por esta razão é que são homens corruptos de entendimento, reprováveis e reprovados quanto à fé.
Não irão, porém, avante! Porque a todos será manifesto o desvario e o surto deles, como também aconteceu com os opositores de Moisés.
Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência.
Perseguições e aflições tais quais me aconteceram, tu conheces bem; e viste como me portei.
Já sofri muito pelo Evangelho. Hoje também muito sofro. E sei que ainda muito sofrerei. Mas o SENHOR de todas me livrou e me livrará!
Afinal, é assim mesmo, pois todos quantos queiram viver misericordiosamente em Cristo Jesus enfrentarão perseguições - explicitas e implícitas; objetivas e subjetivas; abertas ou veladas; hostis ou hipócritas.
Tudo no mundo que jaz no maligno é contra Cristo. Portanto, não fiques perplexo, pois tua vida na Graça de Jesus é uma provocação a homens e a principados e potestades.
Sabe, porém, isto:
Os homens perversos, dissimulados e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados - embora sempre creiam que estejam levando vantagem até contra o diabo.
Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido.
Ou será que não podes ver o Evangelho em mim?
O que hoje sabes já o tens aprendido desde a tua meninice. Afinal, conheces a Bíblia e suas escrituras inspiradas, as quais podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.
Também disto nunca te esqueças
Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para exortar, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.


Com a permissão de Paulo.

Caio Fábio
Texto de Caio Fábio.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Evangelho e o Milagre.

“Semana dos Milagres”... “Dia da Cura e Libertação”... “Grande Campanha de Milagres”...
Quem nunca viu faixas e cartazes com algumas das frases acima? Afixada em lugares públicos como praças, ponto de ônibus e principalmente em algumas “denominações evangélicas”?
A prática, cada vez mais comum entre algumas “denominações” é utilizada principalmente como marketing para atrair os “consumidores de milagres”. Pessoas que avaliam a denominação e o pregador pela obra dos milagres como uma forma de autenticação da presença de Deus.
Denominações sem conteúdo, sem misericórdia, sem amor ao próximo e principalmente sem a manifestação da Graça do Evangelho de Jesus... Preocupadas e focadas em não deixar o “show” parar.
A questão é que se alguém do “meio evangélico” questiona os milagres e os milagreiros, é visto com desconfiança e até é taxado como sendo um “crente” frio sem fé e até como ateu. Afinal, a realização de sinais e prodígios dessas “denominações” é prova do autentico Evangelho de Jesus? Um verdadeiro propósito dos milagres no Novo Testamento é mostrar que Cristo e seus Apóstolos estavam falando sob autoridade divina. Sendo assim, podemos confiar nas “denominações dos milagres”?
Calvino e Lutero, na época da Reforma, foram repetidamente desafiados pela Igreja Católica Romana a realizarem milagres que autenticassem seus ensinamentos. Roma apelou para seus milagres documentados de santos como provas de que Deus estava falando por intermédio da Igreja Católica Romana e não por meio dos reformadores. No conceito da Igreja Romana, os milagres serviam para sustentar sua declaração de que era a verdadeira Igreja e que os reformadores eram falsos profetas.
Já os reformadores, alegavam que a doutrina que seguiam era confirmada pela autoridade das Santas Escrituras. Nas palavras de Calvino: “Não estamos a forjar algum Evangelho novo, ao contrário, retemos aquele mesmo à confirmação de cuja verdade serve todos os milagres que outrora operaram assim Cristo como os Apóstolos”.
Não ouso questionar o poder de Deus. Ele é o que é, faz o que quer e quando quer. A questão não é se Deus pode realizar milagres, mas se é o Pacto da Nova Aliança feita no Sangue de Cristo, O Pacto da Graça do Evangelho do Filho de Deus o conteúdo dessas “denominações”? É visto que não! Mas os milagres não testificam a veracidade dessas “denominações”? Será que o grande enganador, também pode realizar milagres verdadeiros em favor de uma causa mentirosa? Com qual objetivo?
Alguns teólogos defendem a idéia que milagres realizados pelo diabo são sempre direcionados contra o bem e a verdade de Cristo. Como Lutero disse: “Astuto e mui rebelde” e, uma vez que está unido ao “ânimo cruel”, ele se torna ainda mais perigoso. Satanás é tão habilidoso na arte de enganar que ele é capaz de nos aparecer sob os auspícios do bem. Ele pode se transformar em anjo de luz, e ele busca enganar até “os escolhidos” (Mt 24.24 e Mc 13.22).
O objetivo então seria autenticar a mentira e o falso evangelho. A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade (2Ts 2.9-12).
Os discípulos do Mestre Jesus devem estar sempre vigilantes e testar os milagres do pai da mentira pelo contexto da Escritura. Os truques de Satanás são expostos pela Palavra, cuja verdade foi confirmada e comprovada pelo testemunho miraculoso de Deus.
Está claro que, como quer que definamos as denominações dos milagres, devemos discernir à Luz do contexto do Evangelho registrado nas Escrituras.
Jesus não fez propaganda de Suas curas com o intuito de criar uma reputação sensacionalista, nem como pretexto para arrecadar dinheiro; ao invés disso, Ele ordenava aos curados "Olhai que ninguém o saiba" (Mt 8:1-4, 9:27-31).
Assim, creia em falso evangelho se quiser.
Diga não ao oportunista milagreiro. O Evangelho é vida, não “show”. Deus age. Ele responde às orações do seu povo de maneiras notáveis. Sua Maravilhosa Graça está manifesta entre nós todos os dias.
A Graça já não basta?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Onde Está a Graça?


Um assunto que circulou em vários blogs foi o posicionamento tomado na última assembléia do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). A decisão foi assumir de forma oficial em classificar a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) e a IMPD (Igreja Mundial do Poder de Deus) como seitas. Agora as pessoas oriundas dessas denominações deverão ser rebatizadas e fazer profissão de fé para serem membros da IPB. Na verdade, já se espera este posicionamento das grandes denominações evangélicas do Brasil há muito tempo. Parabéns IPB pelo posicionamento! Mas as interrogações que me surgiram após ler sobre isso foi:
Qual o posicionamento que devemos ter em relação a diversos pastores, inclusive de igrejas tradicionais históricas, que pregam mensagens de filosofia, auto-ajuda, psicologia e diversas outras mensagens, alicerçadas em ciências e pensamentos humanos, mensagens desprovidas da Graça intituladas como evangelho.
Qual o posicionamento que devemos ter em relação à liderança, conselho ou qualquer outro grupo de igreja que prioriza e investi em coisas corruptíveis ao invés de investir em pessoas. Reuniões de lideres que decidem não contribuir com trabalhos com pobres ou crianças só pelo simples fato delas não poderem retribuir financeiramente. E ainda afirmarem que a decisão da liderança é a vontade de Deus.
Qual o posicionamento que devemos ter com “crentes” que barganham com a fé. Pessoas que depositam suas finanças não por amor ou gratidão, mas com o objetivo de receberem mais de Deus, como uma espécie de “loteria espiritual”. Pessoas que estão mais preocupadas em construir seu “reina na terra” do que ser cidadão dos céus.
Qual o posicionamento que devemos ter com os “profissionais da fé”. Homens que são pastores por conveniência financeira e nada mais. Pastores que deixam as “99 ovelhas” por “uma” que tem maior dízimo.
Tenho consciência que as perguntas acima não se resolvem com assembléias ou reuniões do gênero e que também não devemos sair generalizando tudo e todos como seita, mas o que me deixa inquieto é saber que muitos dos membros das IURDs e IMPDs já pertenceram a denominações como Presbiteriana, Batista, Assembléia, Luterana e outras. Será que todos vão a essas “seitas” em busca de soluções egoístas?
De fato, muitas dessas pobres almas buscam algo que não estão encontrando em lugar nenhum e muito menos nessas “seitas”. A verdade é que tem muito crente desesperado e ansioso em fugir do inferno que esqueceu de celebrar a viagem para o céu, tem muita denominação evangelica preocupada em gerrear com o mundo que esqueceu da missão de ser o porto da Graça neste mundo carente de Graça.
Qualquer organização não cristã pode alimentar os famintos, cuidar de órfãos, cuidar de enfermos... Não precisam ser crentes para fazer esse tipo de coisas. Uma coisa o mundo não pode fazer: Oferecer Graça. Onde mais os homens poderão encontrar Graça?
A Graça é o melhor presente de Deus ao mundo. Ela é uma boa nova espiritual no nosso meio exercendo uma força maior do que a vingança, mais forte do que o racismo, mais forte do que o ódio, mas infelizmente muitas igrejas, inclusive as tradicionais historicas, estão carecendo da Graça.
Fome da Graça... talvez seja esse o motivo da busca de muitos nessas “seitas” e que acabam se adaptando a “des-Graça” porque muitas igrejas evangélicas se tornaram “sem-Graça”

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sou Protestante?

Após ler as postagens desse blog, alguém me perguntou se eu deixei de ser protestante. Quero esclarecer esse assunto e acentuar algumas razões.
Vamos relembrar um pouco da história.
Antes de Lutero fixar as 95 teses, já havia um movimento reformista que pregava uma vida cristã mais condizente com o Evangelho. Na verdade, a reforma protestante nada mais é do que o cumprimento de um clamor por mudança religiosa, ainda que de maneira esporádica através dos anos anteriores à própria origem da reforma.
No século XII os valdenses, conhecidos como "os pobres de Lyon" ou "os pobres de Cristo", questionaram a autoridade eclesiástica, o purgatório e as indulgências. No século XIV, na Inglaterra, John Wycliffe defendeu idéias que seriam reconhecidas pelo movimento protestante, como a posse do mundo por Deus. As idéias de Wycliffe exerceram influência sobre o reformador tcheco João Huss e seus seguidores no território da Boêmia. Entre essas vozes protestantes nos séculos XIV e XV estava a do monge dominicano Savanarola o qual, a mando do papa, foi preso, torturado e enforcado.
Esses são apenas alguns personagens citados para nos dar idéia do que estava acontecendo no seio da igreja católica romana. Mas a faísca veio em 1517, ocasião em que a campanha das indulgências para a basílica de São Pedro em Roma estava a todo vapor (campanhas não muito diferentes das que vemos hoje). Tetzel um padre dominicano, pregava sobre as indulgências com grande exibicionismo: dizia que cada vez que caia moeda na bolsa do frade, uma alma saia do purgatório. Diante disso, Lutero resolveu protestar fixando suas 95 teses condenando o uso das indulgências. A resposta do papa Leão X, veio na bula “Exsurge Domine” ameaçando Lutero de excomunhão. Mas já era tarde demais, pois as teses de Lutero já haviam sido distribuídas por toda a Alemanha. Lutero então foi chamado a comparecer a dieta de Worms para se retratar. Porém respondeu ele que não poderia se retratar de nada do que disse. Martinho Lutero tentara uma reforma da igreja católica apostólica romana, porém a maior parte dos cristãos europeus (especialmente na Europa meridional) não concordava com as tentativas de reforma o que produziu uma separação entre as emergentes igrejas reformadas e a igreja romana.
Nessa época, os ideais da reforma já estavam estourando em diversas partes como em Zurique sob o comando de Zuinglio, na França sob a liderança de Calvino e nos paises baixos.
As autoridades católicas romanas na Alemanha não gostaram muito da difusão do luteranismo na terra natal de Lutero e resolveram reagir. Um edito foi assinado pelo Sacro Imperador Romano, Charles V que não somente denunciava Lutero e seus seguidores, mas também autorizava que os livros luteranos fossem queimados. Os luteranos por sua vez publicaram um protesto oficial.
O termo protestante surgiu como apelido pejorativo para um grupo de cinco príncipes eleitores e catorze cidades imperiais alemãs que se atreveram a expressar seu protesto ou depoimento público de objeção à determinação de Roma (o Édito de Worms) em eliminar os fieis luteranos proibindo crer e ensinar as doutrinas bíblicas interpretadas por Lutero conforme expressa na segunda Dieta de Speyer. Eles expressaram esta firme resolução no famoso “Protesto” de 19 de abril de 1529, de onde se originou a palavra “protestante”.
Agora, depois desse resumidíssimo texto histórico... Voltemos à questão inicial: Sou ainda protestante?
Sim, sou protestante e protesto contra toda forma de indulgências modernas protagonizada pelos defensores da teologia da prosperidade sob a alegação que o fiel pode obter ganhos financeiros e materiais única e exclusivamente através de sua fé demonstrada como generosidade para contribuir financeiramente com supostas campanhas. Sim, indulgências modernas e a prática foram até "aperfeiçoada" uma vez que não só a benção da prosperidade, mas também da cura, emprego, libertação entre outras, são abertamente negociadas em troca de "ofertas" que recebem os mais diversos nomes, mas que no fim das contas tem a base ideológica das indulgências medievais. As pessoas são descaradamente extorquidas em nome de Deus para que as grandes catedrais e impérios religiosos sejam construídos.
Se sou protestante? Sim, e protesto contra todo milagreiro oportunista que prega e ensina outro reino que não é o de Jesus. Um reino que se utiliza do evangelho como produto, confinando seus “clientes” à esperança somente a esta existência. Um reino onde o céu é a prosperidade desse mundo, a paz é a realização dos desejos movidos de ganância e a graça é uma “des-graça”. Sim, sou protestante.
Sou protestante contra toda invenção humana no meio da igreja como se fosse a Palavra de Deus, contra toda hipocrisia, moralismo, controle da vida alheia, orgulho teológico, comércio, corrupção, etc. Fatores que se contradizem com os ensinos e a vida de Jesus.
Está na hora de uma revolução, de novos Luteros, de uma nova postura. Talvez seja a hora de protestar contra o protestantismo.
Sim, sou protestante.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O dízimo e a Graça

Logo após uma conversa com amigos sobre o dizimo resolvi postar esse estudo.
Um de meus amigos defendia a pratica do dizimo, pois o mesmo, dizia ele era praticado antes da lei. E isso é pura verdade. Vejamos:
Muitos ministros religiosos aplicam a lei do dízimo ao cristianismo, sob alegação de o dízimo ter sido praticado antes da Lei e, inclusive, pelo patriarca Abraão; mas, tal alegação não tem fundamento e não é base para aplicá-lo no tempo da Graça, pois vale ressaltar que nem todas as obras praticadas anteriormente à Lei, inclusive, por Abraão, devem ser aplicadas no tempo da Graça.
Antes da Lei, além do dízimo, eram praticadas obras, como: Celebração de sacrifícios de animais (Gn 8.20; 22.13; 33.20); Circuncisão (Gn 17.10-11; 17.23; 21.04); etc.
Obras essas, praticadas anteriormente à Lei pelo povo de Deus, inclusive, obviamente, pelo patriarca Abraão. Porém todo cristão entendido nas escrituras sabe que tais obras não devem ser aplicadas no tempo da Graça. Isso nos confirma que, muitas das obras que foram praticadas antes da Lei e também por Abraão, não se enquadram na prática do verdadeiro Evangelho.
Quanto ao dízimo, por ser o imposto de renda da nação, observamos que só foi devidamente cobrado pelas autoridades eclesiásticas, durante o tempo em que o ministério religioso era incorporado ao Estado, ou seja, unificado à administração política.
Por esse motivo Abraão deu o dízimo a Melquisedeque, porque Melquisedeque não era somente sacerdote, mas também era rei (Gn 14.18 ; Hb 7.2).
Melquisedeque também governava o país. O dízimo sempre foi o imposto de renda da nação; uma parte era para a administração sacerdotal, outra se destinava à administração política, muito usada na “Assistência Social”.
O livro de Deuteronômio, 14.28-29, diz que deveriam recolher os dízimos da colheita para que houvesse alimentos em suas cidades, para os levitas, o estrangeiro, o órfão e a viúva (Dt 14.28-29; 26.12-14). Os dízimos deveriam ser levados, não aos sacerdotes (como é feito em muitos casos hoje), mas aos levitas (Ne 10.37) e esses deveriam levar aos sacerdotes o dízimo dos dízimos (o centésimo da renda do povo), conforme a ordenança da Lei (Nm 18.26-28).
No caso de Melquisedeque, coube a ele receber todo o dízimo pelo fato de administrar os dois ministérios, o religioso e o político, pois era sacerdote, mas também era rei (Gn 14.18; Hb 7.2).
Contudo, o dízimo era oferecido a Deus em razão de o país ser administrado religiosamente, pois a religião e a política caminhavam juntas. Eram dois ministérios em uma só realidade.
A partir do momento em que surge o cristianismo, o religioso se desvinculou do Estado Porém, tanto no tempo da dispensação da Lei, como na época de Abraão, a administração religiosa era unificada ao Estado. Por isso o cristianismo não pode tomar por base e fundamento casos anteriores à Lei com o intuito de cobrar o dízimo hoje.
Observa-se que os que cobram o dízimo argumentam, baseando-se no fato de Abraão ter dado o dízimo por fé. Sendo assim, deveriam também pela mesma fé circuncidar-se e oferecer sacrifícios. Por acaso a circuncisão e os sacrifícios de Abraão não antecedem à Lei? E também não foram praticados por fé?
Abraão foi o primeiro a praticar a obra da circuncisão (Gn 17.10-11; 17.23; 21.04). Paulo, porém, escrevendo aos Gálatas, 5.2-4, diz que se o crente se circuncidar, Cristo para nada aproveita e o tal é obrigado a guardar toda a Lei.
Abraão também oferecia sacrifícios de animais, mas como todos sabem, segundo a instrução do escritor aos Hebreus (Hb 10.5-9), os sacrifícios já não são mais.
Desta forma, ainda que Abraão tenha vivido antes da Lei, era uma época cujas obras eram bem diferentes das obras do cristianismo. Pois, antes da Lei, a morte ainda reinava pelo pecado de Adão (Rm 5. 14).
Por que Abraão oferecia sacrifícios de animais e praticava a circuncisão? Provavelmente porque ainda não estava em prática a Graça da Salvação que há em Cristo Jesus.
Podemos afirmar, com absoluta certeza que, se Abraão vivesse no tempo da graça, não praticaria tais obras, e se desse alguma porcentagem de seus rendimentos seria por espontaneidade, amor e gratidão.
E durante dispensação da Lei visto que em tal época, a nação também era politicamente administrada pelas autoridades religiosas o dízimo (o imposto de renda) aparecia como ordenança de Deus e todo o povo, sob aquela Lei, deveriam praticá-lo.
Os dízimos deveriam ser observados de forma rigorosa, pois eram considerados santos ao Senhor (Lv 27.32).
O versículo 10 do capítulo 3 de Malaquias nos fala que o dízimo era para que houvesse mantimento na casa de Deus. E Deus, então, prometia abrir as janelas do céu e abençoar o dizimista em grande maneira.
Na Lei, o homem que não fosse dizimista era considerado ladrão e estaria debaixo da maldição, por não cumprir tal ordenança da Lei (Ml 3.8 ; Gl 3.10).
Concluímos, pois, que todo o povo deveria dizimar, pois fazia parte das ordenanças do Senhor aos que estavam debaixo da Lei. Todavia, desaprovamos a cobrança do dízimo aos cristãos. Com isto, não estamos rejeitando o Velho Testamento, mas ao contrário, cremos que faz parte do cânon bíblico. Rejeitamos a exigência do dízimo sim, por ser exclusividade da Lei, e o Evangelho nos isenta da Lei (Lc 16.16 Gl 3.10-13; 4.3-5;4.24-25).
A prática da lei do dízimo é, na verdade, proveitosa, se o tal guardar toda a Lei. Esta foi a advertência do apóstolo Paulo, aos romanos que insistiam na prática da circuncisão, dizendo: “Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei” (Rm 2.25).
Se alguém quiser viver debaixo da Lei, tem que ser íntegro na sua prática, sem tropeçar em um só ponto (Tg 2.10). Neste caso a sua salvação seria pelas obras da Lei, e não pela Graça de Cristo (Gl 5.4).
Ao mesmo tempo em que a Lei e os Profetas exigiam a prática da ordenança dos dízimos ao povo da Aliança Levítica, isto é, para aquela época, também era profetizada a liberdade de contribuição para o povo da Graça; motivo pelo qual, para os da Graça, a Lei e os Profetas duraram até a Obra de Cristo (Mt 11.13). Com Jesus, deu-se a transição da Lei para a Graça; bem compreendido, para aqueles que aceitam a salvação pela Graça de Cristo.
A Lei profetizou o seu próprio fim; é o que justifica a expressão de Paulo aos gálatas, quando declara: “Eu pela lei estou morto para a lei para viver para Cristo” (Gl 2.19).
No capítulo 3 do livro de Malaquias, a Palavra de Deus faz menção da contribuição do povo da Lei mosaica, e também da contribuição do povo da Graça. Nota-se, que antes da Palavra de Deus exigir a cobrança do dízimo para o povo da Aliança Levítica, impondo a sua prática sob pena da maldição da Lei (Ml 3.8-10), profetiza o fim do dízimo e a liberdade de contribuição para o povo da Graça (Malaquias 3.1-5).
No versículo 3 diz: trarão ofertas em justiça, e no versículo 4, que a oferta será agradável ao Senhor como nos dias antigos, como nos primeiros anos. Esses dias antigos e os primeiros anos mencionados neste versículo referem-se à saída do povo do Egito, aos primeiros anos da caminhada; pois, sabe-se, que nesse tempo não era aplicada a cobrança do dízimo. Segundo a Bíblia, a ordenança dos dízimos já havia sido promulgada, mas a sua prática só começaria após a entrada na terra prometida (Dt 26.1-12). Até então, eram feitas ofertas espontâneas (Ex 36.2-7; 35.4-29; Nm 7.1-8; 31.48-54).
Não estamos indo contra o fiel que espontaneamente e com amor oferta com a causa em que crê mas sim, como a forma que é imposta pelos sacerdotes modernos e como advertem os fies sob pena de maldição.
Pois não se deve, aplicar uma obra como o dízimo ao tempo da Graça, pelo fato de ter sido praticada por Abraão! Alguns crentes da igreja da Galácia persistiam na prática da circuncisão, certamente com a idéia de ter sido uma obra praticada antes da Lei, e inclusive por Abraão, porém, foram advertidos pelo apóstolo Paulo, que lhes disse: “se o crente se circuncidar, Cristo para nada aproveita e o tal está obrigado a guardar toda a lei” (Gl 5.2-4); e acrescentou, dizendo que isto lhes separaria da Graça de Cristo (Gl 5.4).

sábado, 14 de agosto de 2010

Buscai o Reino de Deus

Desde o começo de minha caminhada cristã tenho ouvido a seguinte frase: “Buscai o Reino de Deus”... Utilizada muitas vezes ou por parte dos lideres, ou por parte dos seguidores de diversas denominações evangélicas, referindo-se à participação ou o envolvimento das atividades geradas pelas igrejas/instituições. O problema é que cada vez mais este conceito errado do Reino de Deus cresce, à medida que surge outro reino que se utiliza do evangelho como produto, confinando seus “clientes” à esperança somente a esta existência. Atraídos pelas “oportunidades”: do melhor emprego, da troca do automóvel, da casa própria, da restituição das finanças, os súditos deste suposto reino confinam seu relacionamento com Jesus apenas aos horizontes deste mundo, buscando a temporalidade dos sucessos humanos, alimentado e sustentado por uma classe sacerdotal que conduz e defende uma nova igreja/instituição como a manifestação concreta e visível do Reino, como se “fosse” a detentora dos oráculos de Deus. O céu deste suposto reino é a prosperidade desse mundo, a paz é a realização dos desejos movidos de ganância e a graça passou a ser uma “des-graça”.
Entre tantos devaneios, a igreja perdeu seu significado e sentido original, deixou de ser “chamados para fora” para ser “chamados para dentro”. A ordem foi invertida, o mandamento deixou de ser “o Ide”, para ser “o Fique”. Ficar confortavelmente do lado de dentro, crendo que somente do lado-geográfico de dentro é que residem todas as coisas de Deus. A igreja/instituição achou-se no direito de ser identificada a semelhança da “Perola de Grande Valor”.
O fato é que são muitos os que seguem esse “reino”, formando um grupo clubesco e viciado, perdido entre a fé nas escrituras e o assedio dos milagreiros oportunistas. Tal “reino” oferece uma esperança oca e de curta validade por estar destituída de reais referências do Reino de Deus, causando em seus seguidores um grande stress devido à ansiedade desesperada na busca desse falso reino. Um reino que causa esgotamento mental e desapontamento, não pode ser o Reino de Deus.
O Reino de Deus não causa ansiedade, mas ao contrário, Ele destrói a ansiedade e a aflição porque não é algo que acontece do lado de fora. Jesus disse que o Reino de Deus não vem com visível aparência (Lucas 17:20). Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós (Lucas 17:21). O Reino de Deus não tem fronteiras geográficas. O Reino é uma realidade interior, que se desenvolve e cresce a partir do interior das pessoas e que vai produzir seus frutos, embora convivendo com a ambigüidade do tempo presente. Assim, não há nenhum lugar geográfico ou físico que possa ser buscado e identificado como o Reino de Deus, nenhum movimento religioso conduzido por homens é o Reino de Deus. Só Deus manifesta o Seu Reino. Se não há manifestação do Reino de Deus no coração, não há nenhum outro lugar que se possa encontrá-Lo do lado de fora. Buscar o Reino de Deus no coração não é uma tarefa de ansiedade, mas de descanso, o trabalho é descansar, e encontrar e buscar só acontece no campo da fé.
O Reino de Deus é converter o coração à confiança, ao amor, à misericórdia, ao perdão, ao descanso na provisão e a certeza do amor de Deus, que prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Romanos 5:8).
O Reino de Deus acontece como pacificação do coração, como expansão da consciência de Deus em nós, como decisão interior de descansar e executar as tarefas do cotidiano como fruto do amor, da graça e da misericórdia (não de tirar as responsabilidades do dia-a-dia).
O Reino de Deus se estabelece no coração quando há submissão ao mandamento de amar uns aos outros, de se ater a realidade e a verdade. O Reino se estabelece no homem e a justiça de Deus se estabelece nos atos do homem submisso.
Fazendo isso, todas as coisas necessárias à vida serão acrescentadas (João 6:36)

Assim, o único e verdadeiro Reino se manifesta ao homem submisso a Deus, que tem seu entendimento iluminado, seu coração renovado e tomado pelo amor. Jesus como Rei ensina o caminho ao homem, Ele opera a beleza necessária para adequá-lo à comunhão santa com Deus. Ele purifica para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras (Tito 2:14).
Não se engane, ou deixe se enganar...
Buscai o Reino, mas... de Deus!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A Revolução do Evangelho

Diferente de uma reforma, nós cremos numa Revolução do Evangelho. A Revolução só incluirá os cristãos se eles tiverem a coragem de desistir do cristianismo e abraçar o supremo e seguro risco de apenas andar conforme a revelação da Graça de Deus em Cristo, pela Fé, visto que a promessa é que o próprio Espírito sempre haverá de nos conduzir a toda Verdade.
A Revolução do Evangelho não se atém a nenhuma preocupação com construção de coisa alguma. De fato, o grande problema sempre teve a ver com a necessidade de segurança que as pessoas dizem precisar - o que a religião ficticiamente oferece - ; e que as impede de apenas andarem pela fé no que Jesus já fez e consumou por todos os homens, daí a perplexidade e a insegurança de ser “dos do Caminho”.
Se quisermos algo sério de verdade, temos que saber que isso demandará de nós uma volta humilde e sem tradições para a Palavra, isso a fim de sermos completamente lavados das tinturas com as quais o cristianismo pintou a fé para nós.
Sei que o que digo é verdade segundo o Evangelho, mas também sei que tal fé é incompreensível para as mentes viciadas no Cristianismo como Religião; e sei que é desinstaladora demais para aqueles que vivem do negócio clerical cristão.
O que creio, portanto, é que há um Basta de Deus em processo de eco no ar... O Reino é Dele. A Igreja é Dele. O Povo é Dele. E Ele mesmo haverá de nos surpreender!
Quem, todavia, deseja “Reformar o Sinédrio”, e pensa que esta é nossa intenção, não nos procure; pois, “reformar o Sinédrio” é sonho de fariseu; sonho esse que Jesus nunca sonhou; por isto mesmo nunca fez nada a respeito! Não adianta brigar contra a Potestade da Religião. Ela se alimenta da briga contra ela. Sim! O ódio a alimenta e a rejeição a fortalece em seus ódios.
Quem, porém, desejar o Novo, então, se quiser ajudar, que não faça mais nenhuma barganha com a religião cristã, e em contrapartida, que se entregue de coração ao Evangelho de Jesus. Que viva conforme a simplicidade da fé que confia que Tudo está Feito, e que não sobrou tarefa complementar e vicária a serrealizada por mais ninguém, nem pela igreja.
O preço que as pessoas pagam pela submissão aos mandamentos de homens é absolutamente inconcebível. Esta é a razão porque a maioria dos cristãos tem apenas “apologia” doutrinária para fazer em defesa da Fé; mas não é ela mesma a grande apologia do Evangelho pela demonstração natural de uma existência livre e pacificada no amor de Deus.
Agora, posto o machado na raiz de toda árvore, chegou o tempo de ser ou não ser; de abraçar o Evangelho, ou, de uma vez, assumir que somos apenas filhos de um híbrido, de uma “frankensteinização” que monta pedaços da revelação conforme a necessidade moral, social, política, econômica; e conforme o curso deste mundo.
Desse modo, sei que sou uma voz quase solitária no deserto.
Mas, na hora em que milhares e milhões, que assim crerem, passarem a viver livres conforme o Evangelho, então, sem pai, sem mãe e sem fundador, a revolução se estabelecerá: sem sede, sem geografia, sem dono, sem tutor, e sem reguladores da fé. Isso, todavia, só será real e genuíno se Jesus for tudo, e o espírito do Evangelho da Graça se tornar a única Lei da Vida.

O texto é parte integrante do livreto Um Só Caminho
Caio Fábio

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Cristo sem cristianismo.

O que se sabe é que Jesus não deixou nenhum escrito e não fundou religião alguma. O que chamamos hoje de cristianismo é uma construção religiosa feita pelos seguidores de Cristo ao longo de dois mil anos e que foi afetada pela era do imperador Constantino, a era da Reforma Protestante e a era dos Avivamentos na Inglaterra e Estados Unidos. O modelo atual hierárquico seguido por grande parte das igrejas tem sua origem na arquitetura original dos templos do período do imperador Constantino. No cristianismo estão contidos vários seguimentos, como católicos romanos, ortodoxos, protestantes, pentecostais, neopentecostais e outros. Assim, é um engano afirmar que foi Jesus o fundador do cristianismo. Outro grande erro é comparar Jesus com qualquer outro homem que viveu ou vive nesse mundo. Jesus é sobre todos e tudo, é incomparável. Jesus combateu o movimento religioso de seu tempo e não é possível detê-lo dentro de qualquer religião que seja. Jesus influenciou milhões de pessoas ao longo dos séculos, mas não tem nada a ver com a religião criada pelos seus seguidores. Jesus é o maior e melhor projeto de vida a ser seguido, isso quando não acrescido de referências, procedimentos e dogmas religiosos. Seguir Jesus não é seguir doutrinas, dogmas, teologias sistemáticas como se fossem a Palavra de Deus, como se fosse o Evangelho. Palavra de Deus é Jesus, afinal Ele é o verbo encarnado. Seguir Jesus é confiar de todo o coração e andar sem o fardo pesado imposto pela religião cristã, é compreender, aceitar e andar na Graça, é ser aceito por Ele, aprendendo com Ele como agir e reagir, é seguir sem pedras nas mãos, perdoando e sendo perdoado, é ser como o negociante que procura boas pérolas e ao encontrar uma de imensurável valor, vende tudo o que possui e a compra.
Se você é um dos seguidores do cristianismo pare, olhe para Jesus, ame-o de todo o coração, sirva-o, ame os que confessam o Seu nome e também até mesmo os que odeiam o Seu nome. No entanto, deixe de tentar amar e seguir a Jesus nesse caminho humano, no qual se tem coisas do Jesus do Evangelho apenas como isca. Ainda é tempo de deixar de amar o cristianismo ou a “igreja” com o amor com o qual só deveriam amar a Jesus, e a nada mais.