Assim como Wycliff, João Huss, Lutero e outros que se levantaram para combater a corrupção, a venda de indulgências, a disputa pelo poder e tantas outras incoerências, acredito que a religião cristã dos nossos dias, não está em situação muito diferente dos dias desses homens. O que impera é a hipocrisia, o moralismo, o controle da vida alheia, o orgulho teológico, o comércio, a corrupção, etc. Fatores que se contradizem com os ensinos e a vida de Jesus. Nada vale mais a pena do que aprender e viver o puro e simples evangelho. Indique este blog e deixe um comentário.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Onde Está a Graça?


Um assunto que circulou em vários blogs foi o posicionamento tomado na última assembléia do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). A decisão foi assumir de forma oficial em classificar a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) e a IMPD (Igreja Mundial do Poder de Deus) como seitas. Agora as pessoas oriundas dessas denominações deverão ser rebatizadas e fazer profissão de fé para serem membros da IPB. Na verdade, já se espera este posicionamento das grandes denominações evangélicas do Brasil há muito tempo. Parabéns IPB pelo posicionamento! Mas as interrogações que me surgiram após ler sobre isso foi:
Qual o posicionamento que devemos ter em relação a diversos pastores, inclusive de igrejas tradicionais históricas, que pregam mensagens de filosofia, auto-ajuda, psicologia e diversas outras mensagens, alicerçadas em ciências e pensamentos humanos, mensagens desprovidas da Graça intituladas como evangelho.
Qual o posicionamento que devemos ter em relação à liderança, conselho ou qualquer outro grupo de igreja que prioriza e investi em coisas corruptíveis ao invés de investir em pessoas. Reuniões de lideres que decidem não contribuir com trabalhos com pobres ou crianças só pelo simples fato delas não poderem retribuir financeiramente. E ainda afirmarem que a decisão da liderança é a vontade de Deus.
Qual o posicionamento que devemos ter com “crentes” que barganham com a fé. Pessoas que depositam suas finanças não por amor ou gratidão, mas com o objetivo de receberem mais de Deus, como uma espécie de “loteria espiritual”. Pessoas que estão mais preocupadas em construir seu “reina na terra” do que ser cidadão dos céus.
Qual o posicionamento que devemos ter com os “profissionais da fé”. Homens que são pastores por conveniência financeira e nada mais. Pastores que deixam as “99 ovelhas” por “uma” que tem maior dízimo.
Tenho consciência que as perguntas acima não se resolvem com assembléias ou reuniões do gênero e que também não devemos sair generalizando tudo e todos como seita, mas o que me deixa inquieto é saber que muitos dos membros das IURDs e IMPDs já pertenceram a denominações como Presbiteriana, Batista, Assembléia, Luterana e outras. Será que todos vão a essas “seitas” em busca de soluções egoístas?
De fato, muitas dessas pobres almas buscam algo que não estão encontrando em lugar nenhum e muito menos nessas “seitas”. A verdade é que tem muito crente desesperado e ansioso em fugir do inferno que esqueceu de celebrar a viagem para o céu, tem muita denominação evangelica preocupada em gerrear com o mundo que esqueceu da missão de ser o porto da Graça neste mundo carente de Graça.
Qualquer organização não cristã pode alimentar os famintos, cuidar de órfãos, cuidar de enfermos... Não precisam ser crentes para fazer esse tipo de coisas. Uma coisa o mundo não pode fazer: Oferecer Graça. Onde mais os homens poderão encontrar Graça?
A Graça é o melhor presente de Deus ao mundo. Ela é uma boa nova espiritual no nosso meio exercendo uma força maior do que a vingança, mais forte do que o racismo, mais forte do que o ódio, mas infelizmente muitas igrejas, inclusive as tradicionais historicas, estão carecendo da Graça.
Fome da Graça... talvez seja esse o motivo da busca de muitos nessas “seitas” e que acabam se adaptando a “des-Graça” porque muitas igrejas evangélicas se tornaram “sem-Graça”

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sou Protestante?

Após ler as postagens desse blog, alguém me perguntou se eu deixei de ser protestante. Quero esclarecer esse assunto e acentuar algumas razões.
Vamos relembrar um pouco da história.
Antes de Lutero fixar as 95 teses, já havia um movimento reformista que pregava uma vida cristã mais condizente com o Evangelho. Na verdade, a reforma protestante nada mais é do que o cumprimento de um clamor por mudança religiosa, ainda que de maneira esporádica através dos anos anteriores à própria origem da reforma.
No século XII os valdenses, conhecidos como "os pobres de Lyon" ou "os pobres de Cristo", questionaram a autoridade eclesiástica, o purgatório e as indulgências. No século XIV, na Inglaterra, John Wycliffe defendeu idéias que seriam reconhecidas pelo movimento protestante, como a posse do mundo por Deus. As idéias de Wycliffe exerceram influência sobre o reformador tcheco João Huss e seus seguidores no território da Boêmia. Entre essas vozes protestantes nos séculos XIV e XV estava a do monge dominicano Savanarola o qual, a mando do papa, foi preso, torturado e enforcado.
Esses são apenas alguns personagens citados para nos dar idéia do que estava acontecendo no seio da igreja católica romana. Mas a faísca veio em 1517, ocasião em que a campanha das indulgências para a basílica de São Pedro em Roma estava a todo vapor (campanhas não muito diferentes das que vemos hoje). Tetzel um padre dominicano, pregava sobre as indulgências com grande exibicionismo: dizia que cada vez que caia moeda na bolsa do frade, uma alma saia do purgatório. Diante disso, Lutero resolveu protestar fixando suas 95 teses condenando o uso das indulgências. A resposta do papa Leão X, veio na bula “Exsurge Domine” ameaçando Lutero de excomunhão. Mas já era tarde demais, pois as teses de Lutero já haviam sido distribuídas por toda a Alemanha. Lutero então foi chamado a comparecer a dieta de Worms para se retratar. Porém respondeu ele que não poderia se retratar de nada do que disse. Martinho Lutero tentara uma reforma da igreja católica apostólica romana, porém a maior parte dos cristãos europeus (especialmente na Europa meridional) não concordava com as tentativas de reforma o que produziu uma separação entre as emergentes igrejas reformadas e a igreja romana.
Nessa época, os ideais da reforma já estavam estourando em diversas partes como em Zurique sob o comando de Zuinglio, na França sob a liderança de Calvino e nos paises baixos.
As autoridades católicas romanas na Alemanha não gostaram muito da difusão do luteranismo na terra natal de Lutero e resolveram reagir. Um edito foi assinado pelo Sacro Imperador Romano, Charles V que não somente denunciava Lutero e seus seguidores, mas também autorizava que os livros luteranos fossem queimados. Os luteranos por sua vez publicaram um protesto oficial.
O termo protestante surgiu como apelido pejorativo para um grupo de cinco príncipes eleitores e catorze cidades imperiais alemãs que se atreveram a expressar seu protesto ou depoimento público de objeção à determinação de Roma (o Édito de Worms) em eliminar os fieis luteranos proibindo crer e ensinar as doutrinas bíblicas interpretadas por Lutero conforme expressa na segunda Dieta de Speyer. Eles expressaram esta firme resolução no famoso “Protesto” de 19 de abril de 1529, de onde se originou a palavra “protestante”.
Agora, depois desse resumidíssimo texto histórico... Voltemos à questão inicial: Sou ainda protestante?
Sim, sou protestante e protesto contra toda forma de indulgências modernas protagonizada pelos defensores da teologia da prosperidade sob a alegação que o fiel pode obter ganhos financeiros e materiais única e exclusivamente através de sua fé demonstrada como generosidade para contribuir financeiramente com supostas campanhas. Sim, indulgências modernas e a prática foram até "aperfeiçoada" uma vez que não só a benção da prosperidade, mas também da cura, emprego, libertação entre outras, são abertamente negociadas em troca de "ofertas" que recebem os mais diversos nomes, mas que no fim das contas tem a base ideológica das indulgências medievais. As pessoas são descaradamente extorquidas em nome de Deus para que as grandes catedrais e impérios religiosos sejam construídos.
Se sou protestante? Sim, e protesto contra todo milagreiro oportunista que prega e ensina outro reino que não é o de Jesus. Um reino que se utiliza do evangelho como produto, confinando seus “clientes” à esperança somente a esta existência. Um reino onde o céu é a prosperidade desse mundo, a paz é a realização dos desejos movidos de ganância e a graça é uma “des-graça”. Sim, sou protestante.
Sou protestante contra toda invenção humana no meio da igreja como se fosse a Palavra de Deus, contra toda hipocrisia, moralismo, controle da vida alheia, orgulho teológico, comércio, corrupção, etc. Fatores que se contradizem com os ensinos e a vida de Jesus.
Está na hora de uma revolução, de novos Luteros, de uma nova postura. Talvez seja a hora de protestar contra o protestantismo.
Sim, sou protestante.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O dízimo e a Graça

Logo após uma conversa com amigos sobre o dizimo resolvi postar esse estudo.
Um de meus amigos defendia a pratica do dizimo, pois o mesmo, dizia ele era praticado antes da lei. E isso é pura verdade. Vejamos:
Muitos ministros religiosos aplicam a lei do dízimo ao cristianismo, sob alegação de o dízimo ter sido praticado antes da Lei e, inclusive, pelo patriarca Abraão; mas, tal alegação não tem fundamento e não é base para aplicá-lo no tempo da Graça, pois vale ressaltar que nem todas as obras praticadas anteriormente à Lei, inclusive, por Abraão, devem ser aplicadas no tempo da Graça.
Antes da Lei, além do dízimo, eram praticadas obras, como: Celebração de sacrifícios de animais (Gn 8.20; 22.13; 33.20); Circuncisão (Gn 17.10-11; 17.23; 21.04); etc.
Obras essas, praticadas anteriormente à Lei pelo povo de Deus, inclusive, obviamente, pelo patriarca Abraão. Porém todo cristão entendido nas escrituras sabe que tais obras não devem ser aplicadas no tempo da Graça. Isso nos confirma que, muitas das obras que foram praticadas antes da Lei e também por Abraão, não se enquadram na prática do verdadeiro Evangelho.
Quanto ao dízimo, por ser o imposto de renda da nação, observamos que só foi devidamente cobrado pelas autoridades eclesiásticas, durante o tempo em que o ministério religioso era incorporado ao Estado, ou seja, unificado à administração política.
Por esse motivo Abraão deu o dízimo a Melquisedeque, porque Melquisedeque não era somente sacerdote, mas também era rei (Gn 14.18 ; Hb 7.2).
Melquisedeque também governava o país. O dízimo sempre foi o imposto de renda da nação; uma parte era para a administração sacerdotal, outra se destinava à administração política, muito usada na “Assistência Social”.
O livro de Deuteronômio, 14.28-29, diz que deveriam recolher os dízimos da colheita para que houvesse alimentos em suas cidades, para os levitas, o estrangeiro, o órfão e a viúva (Dt 14.28-29; 26.12-14). Os dízimos deveriam ser levados, não aos sacerdotes (como é feito em muitos casos hoje), mas aos levitas (Ne 10.37) e esses deveriam levar aos sacerdotes o dízimo dos dízimos (o centésimo da renda do povo), conforme a ordenança da Lei (Nm 18.26-28).
No caso de Melquisedeque, coube a ele receber todo o dízimo pelo fato de administrar os dois ministérios, o religioso e o político, pois era sacerdote, mas também era rei (Gn 14.18; Hb 7.2).
Contudo, o dízimo era oferecido a Deus em razão de o país ser administrado religiosamente, pois a religião e a política caminhavam juntas. Eram dois ministérios em uma só realidade.
A partir do momento em que surge o cristianismo, o religioso se desvinculou do Estado Porém, tanto no tempo da dispensação da Lei, como na época de Abraão, a administração religiosa era unificada ao Estado. Por isso o cristianismo não pode tomar por base e fundamento casos anteriores à Lei com o intuito de cobrar o dízimo hoje.
Observa-se que os que cobram o dízimo argumentam, baseando-se no fato de Abraão ter dado o dízimo por fé. Sendo assim, deveriam também pela mesma fé circuncidar-se e oferecer sacrifícios. Por acaso a circuncisão e os sacrifícios de Abraão não antecedem à Lei? E também não foram praticados por fé?
Abraão foi o primeiro a praticar a obra da circuncisão (Gn 17.10-11; 17.23; 21.04). Paulo, porém, escrevendo aos Gálatas, 5.2-4, diz que se o crente se circuncidar, Cristo para nada aproveita e o tal é obrigado a guardar toda a Lei.
Abraão também oferecia sacrifícios de animais, mas como todos sabem, segundo a instrução do escritor aos Hebreus (Hb 10.5-9), os sacrifícios já não são mais.
Desta forma, ainda que Abraão tenha vivido antes da Lei, era uma época cujas obras eram bem diferentes das obras do cristianismo. Pois, antes da Lei, a morte ainda reinava pelo pecado de Adão (Rm 5. 14).
Por que Abraão oferecia sacrifícios de animais e praticava a circuncisão? Provavelmente porque ainda não estava em prática a Graça da Salvação que há em Cristo Jesus.
Podemos afirmar, com absoluta certeza que, se Abraão vivesse no tempo da graça, não praticaria tais obras, e se desse alguma porcentagem de seus rendimentos seria por espontaneidade, amor e gratidão.
E durante dispensação da Lei visto que em tal época, a nação também era politicamente administrada pelas autoridades religiosas o dízimo (o imposto de renda) aparecia como ordenança de Deus e todo o povo, sob aquela Lei, deveriam praticá-lo.
Os dízimos deveriam ser observados de forma rigorosa, pois eram considerados santos ao Senhor (Lv 27.32).
O versículo 10 do capítulo 3 de Malaquias nos fala que o dízimo era para que houvesse mantimento na casa de Deus. E Deus, então, prometia abrir as janelas do céu e abençoar o dizimista em grande maneira.
Na Lei, o homem que não fosse dizimista era considerado ladrão e estaria debaixo da maldição, por não cumprir tal ordenança da Lei (Ml 3.8 ; Gl 3.10).
Concluímos, pois, que todo o povo deveria dizimar, pois fazia parte das ordenanças do Senhor aos que estavam debaixo da Lei. Todavia, desaprovamos a cobrança do dízimo aos cristãos. Com isto, não estamos rejeitando o Velho Testamento, mas ao contrário, cremos que faz parte do cânon bíblico. Rejeitamos a exigência do dízimo sim, por ser exclusividade da Lei, e o Evangelho nos isenta da Lei (Lc 16.16 Gl 3.10-13; 4.3-5;4.24-25).
A prática da lei do dízimo é, na verdade, proveitosa, se o tal guardar toda a Lei. Esta foi a advertência do apóstolo Paulo, aos romanos que insistiam na prática da circuncisão, dizendo: “Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei” (Rm 2.25).
Se alguém quiser viver debaixo da Lei, tem que ser íntegro na sua prática, sem tropeçar em um só ponto (Tg 2.10). Neste caso a sua salvação seria pelas obras da Lei, e não pela Graça de Cristo (Gl 5.4).
Ao mesmo tempo em que a Lei e os Profetas exigiam a prática da ordenança dos dízimos ao povo da Aliança Levítica, isto é, para aquela época, também era profetizada a liberdade de contribuição para o povo da Graça; motivo pelo qual, para os da Graça, a Lei e os Profetas duraram até a Obra de Cristo (Mt 11.13). Com Jesus, deu-se a transição da Lei para a Graça; bem compreendido, para aqueles que aceitam a salvação pela Graça de Cristo.
A Lei profetizou o seu próprio fim; é o que justifica a expressão de Paulo aos gálatas, quando declara: “Eu pela lei estou morto para a lei para viver para Cristo” (Gl 2.19).
No capítulo 3 do livro de Malaquias, a Palavra de Deus faz menção da contribuição do povo da Lei mosaica, e também da contribuição do povo da Graça. Nota-se, que antes da Palavra de Deus exigir a cobrança do dízimo para o povo da Aliança Levítica, impondo a sua prática sob pena da maldição da Lei (Ml 3.8-10), profetiza o fim do dízimo e a liberdade de contribuição para o povo da Graça (Malaquias 3.1-5).
No versículo 3 diz: trarão ofertas em justiça, e no versículo 4, que a oferta será agradável ao Senhor como nos dias antigos, como nos primeiros anos. Esses dias antigos e os primeiros anos mencionados neste versículo referem-se à saída do povo do Egito, aos primeiros anos da caminhada; pois, sabe-se, que nesse tempo não era aplicada a cobrança do dízimo. Segundo a Bíblia, a ordenança dos dízimos já havia sido promulgada, mas a sua prática só começaria após a entrada na terra prometida (Dt 26.1-12). Até então, eram feitas ofertas espontâneas (Ex 36.2-7; 35.4-29; Nm 7.1-8; 31.48-54).
Não estamos indo contra o fiel que espontaneamente e com amor oferta com a causa em que crê mas sim, como a forma que é imposta pelos sacerdotes modernos e como advertem os fies sob pena de maldição.
Pois não se deve, aplicar uma obra como o dízimo ao tempo da Graça, pelo fato de ter sido praticada por Abraão! Alguns crentes da igreja da Galácia persistiam na prática da circuncisão, certamente com a idéia de ter sido uma obra praticada antes da Lei, e inclusive por Abraão, porém, foram advertidos pelo apóstolo Paulo, que lhes disse: “se o crente se circuncidar, Cristo para nada aproveita e o tal está obrigado a guardar toda a lei” (Gl 5.2-4); e acrescentou, dizendo que isto lhes separaria da Graça de Cristo (Gl 5.4).

sábado, 14 de agosto de 2010

Buscai o Reino de Deus

Desde o começo de minha caminhada cristã tenho ouvido a seguinte frase: “Buscai o Reino de Deus”... Utilizada muitas vezes ou por parte dos lideres, ou por parte dos seguidores de diversas denominações evangélicas, referindo-se à participação ou o envolvimento das atividades geradas pelas igrejas/instituições. O problema é que cada vez mais este conceito errado do Reino de Deus cresce, à medida que surge outro reino que se utiliza do evangelho como produto, confinando seus “clientes” à esperança somente a esta existência. Atraídos pelas “oportunidades”: do melhor emprego, da troca do automóvel, da casa própria, da restituição das finanças, os súditos deste suposto reino confinam seu relacionamento com Jesus apenas aos horizontes deste mundo, buscando a temporalidade dos sucessos humanos, alimentado e sustentado por uma classe sacerdotal que conduz e defende uma nova igreja/instituição como a manifestação concreta e visível do Reino, como se “fosse” a detentora dos oráculos de Deus. O céu deste suposto reino é a prosperidade desse mundo, a paz é a realização dos desejos movidos de ganância e a graça passou a ser uma “des-graça”.
Entre tantos devaneios, a igreja perdeu seu significado e sentido original, deixou de ser “chamados para fora” para ser “chamados para dentro”. A ordem foi invertida, o mandamento deixou de ser “o Ide”, para ser “o Fique”. Ficar confortavelmente do lado de dentro, crendo que somente do lado-geográfico de dentro é que residem todas as coisas de Deus. A igreja/instituição achou-se no direito de ser identificada a semelhança da “Perola de Grande Valor”.
O fato é que são muitos os que seguem esse “reino”, formando um grupo clubesco e viciado, perdido entre a fé nas escrituras e o assedio dos milagreiros oportunistas. Tal “reino” oferece uma esperança oca e de curta validade por estar destituída de reais referências do Reino de Deus, causando em seus seguidores um grande stress devido à ansiedade desesperada na busca desse falso reino. Um reino que causa esgotamento mental e desapontamento, não pode ser o Reino de Deus.
O Reino de Deus não causa ansiedade, mas ao contrário, Ele destrói a ansiedade e a aflição porque não é algo que acontece do lado de fora. Jesus disse que o Reino de Deus não vem com visível aparência (Lucas 17:20). Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós (Lucas 17:21). O Reino de Deus não tem fronteiras geográficas. O Reino é uma realidade interior, que se desenvolve e cresce a partir do interior das pessoas e que vai produzir seus frutos, embora convivendo com a ambigüidade do tempo presente. Assim, não há nenhum lugar geográfico ou físico que possa ser buscado e identificado como o Reino de Deus, nenhum movimento religioso conduzido por homens é o Reino de Deus. Só Deus manifesta o Seu Reino. Se não há manifestação do Reino de Deus no coração, não há nenhum outro lugar que se possa encontrá-Lo do lado de fora. Buscar o Reino de Deus no coração não é uma tarefa de ansiedade, mas de descanso, o trabalho é descansar, e encontrar e buscar só acontece no campo da fé.
O Reino de Deus é converter o coração à confiança, ao amor, à misericórdia, ao perdão, ao descanso na provisão e a certeza do amor de Deus, que prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Romanos 5:8).
O Reino de Deus acontece como pacificação do coração, como expansão da consciência de Deus em nós, como decisão interior de descansar e executar as tarefas do cotidiano como fruto do amor, da graça e da misericórdia (não de tirar as responsabilidades do dia-a-dia).
O Reino de Deus se estabelece no coração quando há submissão ao mandamento de amar uns aos outros, de se ater a realidade e a verdade. O Reino se estabelece no homem e a justiça de Deus se estabelece nos atos do homem submisso.
Fazendo isso, todas as coisas necessárias à vida serão acrescentadas (João 6:36)

Assim, o único e verdadeiro Reino se manifesta ao homem submisso a Deus, que tem seu entendimento iluminado, seu coração renovado e tomado pelo amor. Jesus como Rei ensina o caminho ao homem, Ele opera a beleza necessária para adequá-lo à comunhão santa com Deus. Ele purifica para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras (Tito 2:14).
Não se engane, ou deixe se enganar...
Buscai o Reino, mas... de Deus!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A Revolução do Evangelho

Diferente de uma reforma, nós cremos numa Revolução do Evangelho. A Revolução só incluirá os cristãos se eles tiverem a coragem de desistir do cristianismo e abraçar o supremo e seguro risco de apenas andar conforme a revelação da Graça de Deus em Cristo, pela Fé, visto que a promessa é que o próprio Espírito sempre haverá de nos conduzir a toda Verdade.
A Revolução do Evangelho não se atém a nenhuma preocupação com construção de coisa alguma. De fato, o grande problema sempre teve a ver com a necessidade de segurança que as pessoas dizem precisar - o que a religião ficticiamente oferece - ; e que as impede de apenas andarem pela fé no que Jesus já fez e consumou por todos os homens, daí a perplexidade e a insegurança de ser “dos do Caminho”.
Se quisermos algo sério de verdade, temos que saber que isso demandará de nós uma volta humilde e sem tradições para a Palavra, isso a fim de sermos completamente lavados das tinturas com as quais o cristianismo pintou a fé para nós.
Sei que o que digo é verdade segundo o Evangelho, mas também sei que tal fé é incompreensível para as mentes viciadas no Cristianismo como Religião; e sei que é desinstaladora demais para aqueles que vivem do negócio clerical cristão.
O que creio, portanto, é que há um Basta de Deus em processo de eco no ar... O Reino é Dele. A Igreja é Dele. O Povo é Dele. E Ele mesmo haverá de nos surpreender!
Quem, todavia, deseja “Reformar o Sinédrio”, e pensa que esta é nossa intenção, não nos procure; pois, “reformar o Sinédrio” é sonho de fariseu; sonho esse que Jesus nunca sonhou; por isto mesmo nunca fez nada a respeito! Não adianta brigar contra a Potestade da Religião. Ela se alimenta da briga contra ela. Sim! O ódio a alimenta e a rejeição a fortalece em seus ódios.
Quem, porém, desejar o Novo, então, se quiser ajudar, que não faça mais nenhuma barganha com a religião cristã, e em contrapartida, que se entregue de coração ao Evangelho de Jesus. Que viva conforme a simplicidade da fé que confia que Tudo está Feito, e que não sobrou tarefa complementar e vicária a serrealizada por mais ninguém, nem pela igreja.
O preço que as pessoas pagam pela submissão aos mandamentos de homens é absolutamente inconcebível. Esta é a razão porque a maioria dos cristãos tem apenas “apologia” doutrinária para fazer em defesa da Fé; mas não é ela mesma a grande apologia do Evangelho pela demonstração natural de uma existência livre e pacificada no amor de Deus.
Agora, posto o machado na raiz de toda árvore, chegou o tempo de ser ou não ser; de abraçar o Evangelho, ou, de uma vez, assumir que somos apenas filhos de um híbrido, de uma “frankensteinização” que monta pedaços da revelação conforme a necessidade moral, social, política, econômica; e conforme o curso deste mundo.
Desse modo, sei que sou uma voz quase solitária no deserto.
Mas, na hora em que milhares e milhões, que assim crerem, passarem a viver livres conforme o Evangelho, então, sem pai, sem mãe e sem fundador, a revolução se estabelecerá: sem sede, sem geografia, sem dono, sem tutor, e sem reguladores da fé. Isso, todavia, só será real e genuíno se Jesus for tudo, e o espírito do Evangelho da Graça se tornar a única Lei da Vida.

O texto é parte integrante do livreto Um Só Caminho
Caio Fábio

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Cristo sem cristianismo.

O que se sabe é que Jesus não deixou nenhum escrito e não fundou religião alguma. O que chamamos hoje de cristianismo é uma construção religiosa feita pelos seguidores de Cristo ao longo de dois mil anos e que foi afetada pela era do imperador Constantino, a era da Reforma Protestante e a era dos Avivamentos na Inglaterra e Estados Unidos. O modelo atual hierárquico seguido por grande parte das igrejas tem sua origem na arquitetura original dos templos do período do imperador Constantino. No cristianismo estão contidos vários seguimentos, como católicos romanos, ortodoxos, protestantes, pentecostais, neopentecostais e outros. Assim, é um engano afirmar que foi Jesus o fundador do cristianismo. Outro grande erro é comparar Jesus com qualquer outro homem que viveu ou vive nesse mundo. Jesus é sobre todos e tudo, é incomparável. Jesus combateu o movimento religioso de seu tempo e não é possível detê-lo dentro de qualquer religião que seja. Jesus influenciou milhões de pessoas ao longo dos séculos, mas não tem nada a ver com a religião criada pelos seus seguidores. Jesus é o maior e melhor projeto de vida a ser seguido, isso quando não acrescido de referências, procedimentos e dogmas religiosos. Seguir Jesus não é seguir doutrinas, dogmas, teologias sistemáticas como se fossem a Palavra de Deus, como se fosse o Evangelho. Palavra de Deus é Jesus, afinal Ele é o verbo encarnado. Seguir Jesus é confiar de todo o coração e andar sem o fardo pesado imposto pela religião cristã, é compreender, aceitar e andar na Graça, é ser aceito por Ele, aprendendo com Ele como agir e reagir, é seguir sem pedras nas mãos, perdoando e sendo perdoado, é ser como o negociante que procura boas pérolas e ao encontrar uma de imensurável valor, vende tudo o que possui e a compra.
Se você é um dos seguidores do cristianismo pare, olhe para Jesus, ame-o de todo o coração, sirva-o, ame os que confessam o Seu nome e também até mesmo os que odeiam o Seu nome. No entanto, deixe de tentar amar e seguir a Jesus nesse caminho humano, no qual se tem coisas do Jesus do Evangelho apenas como isca. Ainda é tempo de deixar de amar o cristianismo ou a “igreja” com o amor com o qual só deveriam amar a Jesus, e a nada mais.